Por Zeppa Tudisco
“Estou completando felizes cinco anos nessa minha nova terra, uma terra que me recebeu tão bem e de onde não pretendo sair.
Para comemorar esse lustro, gostaria de falar um pouco sobre o meu ofício e sobre como ele está sendo tratado, não só por aqui, como em diversas outras importantes cidades do Brasil.
Nesses cinco anos de Ribeirão, atuando como redator, diretor de criação e sócio fundador da Alta Comunicazione, uma coisa que vem me impressionando muito é a quantidade de currículos que chegam até mim trazendo no campo do objetivo profissional a seguinte inscrição: ‘Atuar na área de criação e marketing de vossa renomada e conceituada empresa’.
Sabe o que eu faço quando vejo um currículo assim? Deleto. Isso mesmo. Não consigo aceitar que um candidato, seja ele um profissional com alguma experiência ou um estagiário sem experiência, saia da faculdade sem saber se sua vocação está mais para os desenhos, para as letrinhas, ou qualquer outra coisa dentro do universo dos sei lá quantos ‘pês’ do marketing.
Concordo que alguém poderia dizer que esse candidato só vai tomar ciência de seus dotes na prática, mas aí eu lembro que a maioria das agências de propaganda, assim como outros segmentos do mercado, não tem mais tanto tempo disponível para observar esse desenvolvimento.
Infelizmente, a capacidade do estagiário ou colaborador de qualquer nível, hoje em dia, tem que ser percebida desde o primeiro dia de trabalho, ou melhor, desde o envio do currículo, ou melhor ainda, desde bem antes da escolha do seu curso universitário.
Não sei se estou celebrando a data de uma forma apropriada, mas alguém precisava falar sobre esse assunto, ou melhor, escrever, e estou me arriscando porque tenho comprovado que as faculdades não estão ensinando artimanhas básicas, como por exemplo, enviar um currículo bem redigido, eficaz, provocante e que se destaque de fato.
Artifícios simples como instruir os alunos para que desde a hora de redigir um currículo incorporem o espírito de um marqueteiro experiente e busquem alternativas diferenciadas, capazes de tocar o frio e estressado coração do avaliador que está do lado de lá, se é que ele tem coração.
Um dado curioso é que recentemente contratei uma redatora, ainda com pouca experiência, simplesmente porque me chamou a atenção o que estava escrito em seu currículo, em letras vistosas e negritadas: “Atuar na área de criação, especificamente redação’!
Conclui se tratar de uma autodidata e conseqüentemente uma grande promessa para nossa área, pois foi uma das poucas pessoas que se tocou que a faculdade é muito importante mas não é tudo.
Ela percebeu que entregar a responsabilidade do sucesso a uma faculdade é colocar a carreira em risco. Uma faculdade não inventa o profissional de redação ou de direção de arte. Acreditar que ela possa fazer isso é acreditar que uma faculdade poderia ensinar ao Ronaldinho jogar futebol, a Chet Baker destilar My Funny Valentine no trompete, a Picasso pintar Guernica, Machado de Assis a escrever Memórias Póstumas de Brás Cubas, e até mesmo ao Chico Xavier, psicografar.
Certa vez, ainda quando tinha paciência e tempo de vasculhar num mundo de currículos homogêneos, chamei uns três candidatos daqueles com objetivos não identificados. Durante a entrevista perguntei propositalmente a cada um deles se o objetivo era atuar na área de criação ou na área de redação. Nenhum respondeu redação! Todos queriam criar!
Ora, acho que muito desses candidatos se esquecem que Nizan Guanaes, Neil Ferreira, Washington Olivetto, Eugenio Mohallem, entre muitos outros bem sucedidos publicitários são redatores. Até mesmo eu sou redator, e posso dizer que muito bem sucedido, também, simplesmente por ter o privilégio de trabalhar com bons amigos; por trabalhar com uma equipe e uma agência que vêm se destacando cada vez mais, uma agência que em apenas 3 anos já é considerada uma das mais criativas e eficientes de todo o interior; por não precisar pegar mais o trânsito infernal da Marginal Pinheiros; por ter uma família sensacional e uma qualidade de vida insuperável.
Por isso, mais do que diretor de criação e empresário, sou redator desde criancinha, e cada vez mais apaixonado por esse ofício que me conduziu, depois de trabalhar com alguns daqueles redatores citados ali em cima, a uma vida muito feliz aqui nessa cidade.
Redação é criação, redação é a transformação de letras em imagens, é a transformação de palavras soltas em conceitos e conceitos em vendas para o cliente. Feliz da agência que tem um diretor de arte que pense letras, e um redator que pense imagens, e que depois os dois misturem tudo e façam nascer a sacada capaz de solucionar o problema do cliente e, conseqüentemente, trazer prêmios e reconhecimento para a agência.
É essa a verdadeira química que constrói a história da propaganda, os cases de sucesso.
Então, gostaria de deixar uma dica para aqueles que, por algum motivo, não receberam a informação ou faltaram na aula dessa matéria: na hora de enviar currículo, preste muita atenção no preenchimento do objetivo profissional. Falando nisso, os interessados para vaga de redator podem enviar currículo para o email: trabalhecomagente@altacomunicazione.com







9 comentários em " REDATORES, DIRETORES DE ARTE OU O QUE MESMO? "
Follow-up comment rss or Leave a TrackbackMais uma vez o Zeppa mostra que é mais que um Júri. É um cara apaixonado pela profissão, e preocupado com os novos profissionais que entram no mercado.
Aplausos. Gostei Zeppa. Vou sugar cada linha do texto para essa cabecinha aqui. =)
(sem puxa-saquismo).
=P
O problema é construir um curriculo decente que caiba ae. Concordo com cada pala que o Zeppa disse, inclusive porque cabe exatamente a realidade que vivo.
Sou apenas um aspirante a redator, mas me encorajei de mandar o meu currículo.
Boa sorte pra mim e pra todos que mandarem os seus.
^^
Exemplo de profissional! Só não vou pra Ribeirão agora pois tenho muito o que colocar na cabeça pra minha formação ser mais aguçada.
Senão, já ia reservar minha passagem…
(Modesto que só…)
Mas é isso mesmo. Brincadeiras à parte, sejamos profissionais com carreiras focadas. É o mínimo exigido. O resto é conseqüência de um bom trabalho.
CLAP…CLAP…CLAP
Quando foi colocado esse texto do Zeppa aqui no PSV, eu disse pra mim mesmo: “To sem tempo, mas juro que vou ler.”
E li. E vi que o que ele disse acontece muito no dia-a-dia de uma agência que recebe email de estagiários interessados a começar na área de criação. É impressionante como os estudantes de publicidade, que querem a criação, não usam a criatividade nem pra entrar numa agência. Já li muito por aí, não é a agência que contrata, é o “cara” que entra na agência.
Quem tá procurando uma vaga por aí, não custa ousar, nem num email. Publicidade é isso aí. Redatores têm que se destacar até na forma de escrever um email. Diretores de arte, até no corte de cabelo.
Zeppa, mandou benzaço! Espero que você continue dando dicas pra todos aqui no PSV.
Abraços!
Comprovei na prática o que está no texto do Zeppa. Consegui emprego e muitos contatos assim. Meu currículo sempre deixou muito claro que meu foco é Redação.
Não adianta pensar em “deixar o leque aberto” para possíveis possibilidades se seu objetivo é atuar em uma área específica. Além disso, um bom profissional precisa ser antenado, mas não tentar fazer de tudo um pouco.
Me atrevi a mandar email, afinal é isso que ser Publicitário, e ser atrevido ou melhor objetivo.
Tenho que concordar que os formandos de Hoje esta com cabeça em criação e redação é segundo plano, na minha faculdade nós elaboramos uma agência experimental, la procuramos vivenciar o dia dia de uma agência com brifieng fornecidos por professores que automaticamente é nossos clientes a briga e feia para quem vai ficar na parte de criação devem simpatizar-se com nome.
Minha função é redatora nesta agência eu amo o que faço e tenho orgulho quando consigo atravês de textos Publicitários e spots alcançar o meu objetivo e agradar os professores (clientes).
Olá… estava eu “andando” pelo google, vendo alguns textos sobre portifólio e eis que venho parar aqui.
Realmente, quando saem da faculdade todos querem criação. E realmente a faculdade faz muitos acreditarem que a criação pára assim que acaba a imagem e quando alguém fala em redação: Ah?!? O que?!?! E ninguém vê que sem o texto a imagem nem sempre diz tudo e vice versa.
Eu quero ser redatora… e quero ser boa nisso.
Gostei do que eu lí. Um belissímo texto, bem escrito e muito sensível. Gostei mais ainda da atitude do Zappa. Um exemplo de uma pessoa feliz. Quando estamos felizes e resolvidos, ajudamos as pessoas e isso só nos faz bem. Também vou trabalhar com redação e para ser mais específico, redação com planejamento. Os pés na redação, um de meus ouvidos, no planejamento. Um certo principio de realidade com vontade de participar se valendo essencial junto ao processo que estrutura a eficácia, pois o amigo do capitalismo é o resultado.
Bom, não podemos cair na armadilha de um sonho repleto de neblina. Como em uma viajem perigosa em uma auto estrada em tempo de chuva, sugere se que vá com calma, de olho em tudo, nos seus movimentos e nos dos outros. Se andar devagar de mais, alguem vai passar por cima, se andar rápido de mais, confrontará uma curva.
Então, estou percebendo que temos que viver com muita sensibilidade na vida, olhar para tudo e todos e principalmente pra si, para encontrar e definir um foco.
Existir e vagar é se por nas mãos de um acaso, que por acaso não venha e por acaso seu tempo ja se foi.
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